domingo, 22 de abril de 2012

PROBLEMAS EXISTEM PARA SEREM RESOLVIDOS

 Há pessoas que ficam remoendo problemas, tentando entender o porquê do ocorrido, apenas se culpando ou em lamentações constante, isso só deprime e não resolve, o pensamento tem que ser único: - O problema eu já tenho, nesse momento o que eu preciso é de solução! – A partir daí todo desgaste emocional e mental deve ser em busca de uma solução para o problema. Diria um pessimista ou resistente: - Não é tão fácil assim, afinal de contas, não somos máquinas, temos sentimentos e remoer um problema faz parte da característica humana, afinal de contas somos seres inteligentes, pensamos e pagamos o preço por isso! – Há verdade nisso, mas podemos treinar nosso cérebro a buscar solução, e não só ficar remoendo problemas. Pode se ter decisões diversas para um mesmo problema: 1) Ficar se culpando, remoer o problema, entrar em depressão, perturbar os outros com lamentações; 2) Animar-se com a possibilidade de uma solução e ir à luta.
Pessoas tristes, rancorosas, mal-humoradas, derrotistas, que só vê tragédia em tudo, ficam doentes com mais facilidade. Há pessoas que ficam presas ao passado e perde a chance de viver o momento: saudade dos antigos amigos, do emprego que não tem mais, da pessoa amada que não está mais ao lado ou que nunca esteve, cidade que ficou no passado, condição financeira que já foi bem melhor, enfim, caso queiramos, teremos inúmeros motivo para viver de lamentações, mas também podemos viver o agora e o passado deve ser selecionado por “boas lembranças”, ficar lembrando fatos ruins, remoendo passado triste e sofrer eternamente. Há pessoas que lamenta a idade: - No meu tempo era diferente! – Calma aí! No seu tempo? Você não está morto? Seu tempo é agora, é hoje. Pode se dizer: - Quando eu era jovem. – Mas nosso tempo é o tempo em que vivemos. O pessimista e derrotista, se religioso, está em desacordo com o que o mestre dos mestres pregou: - Eu vim para que todos tenham vida, vida em abundância. - Por isso, viva cada momento da sua vida como se fosse o último e verás que o momento seguinte será melhor que o atual. Ame as pessoas como se não houvesse amanhã. Evite só enxergar os defeitos dos outros, veja principalmente as virtudes. Não fique ao lado de alguém só para ser feliz, fique para fazê-la feliz, caso ela queira o mesmo o dois serão felizes. Não veja o aniversário apenas como envelhecer, mas como o nascer de um novo ano em sua vida, afinal contas a outra opção é morrer. Não espere "quando tiver dinheiro" para ser feliz, seja feliz com o que tem, aprenda a planejar melhor sua vida financeira. Quando estiver muito triste não se tranque dentro de casa ou de um quarto, vá caminhar na praça, sair com amigos, perceberá que a vida continua a mil lá fora. Como diz Gonzaguinha: Viver! E não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz... Ah meu Deus! Eu sei, eu sei que a vida devia ser bem melhor e será, as isso não impede que eu repita é bonita, é bonita e é bonita...

domingo, 15 de abril de 2012

OS MELHORES JOGADORES BRASILEIROS DE TODOS OS TEMPOS

Evidentemente que fazer uma relação dos melhores jogadores brasileiros de todos os tempos é no mínimo insensatez, pois futebol no Brasil é religião, clubes têm estátos de igrejas e jogadores de santos a serem adorados, por isso, cada brasileiro se sente capaz de escalar um time vencedor, dirigir esse time já não é tanta pretensão da maioria, mas escalar, nisso nós somos bons! Por isso decidi fazer uma pesquisa entre sites, blogs e observar votações dos melhores jogadores brasileiros de todos os tempos e, encontrei várias enquetes, pesquisas e eleições feitas por jornalistas, técnicos de futebol, público em geral, mesmo assim, não existe uma lista que seja unânime, há sim, um jogador unânime: Pelé.
Depois de uma longa e exaustiva pesquisa, abaixo faço uma relação com onze jogadores, preservando as posições que ocuparam em campo ou, devido à sua importância na história do futebol brasileiro, escalado para um posição que tranquilamente poderia ter atuado. Como toda grande equipe de futebol tem que ter um bom banco de reservas, a relação abaixo também vem com o substituto para cada titular. Alguns jogadores aparentemente estão fora de suas posições, mas não se esqueçam que o Zico conhecido com camisa 10 jogou muito tempo com a 08, Romário jogava com a 11 e assim por diante. Bem, agora veja a relação dos Melhores Jogadores de Futebol de Todos os Tempos e questione a vontade.
1 – Gilmar dos Santos Neves/ Emerson Leão
2 – Djalma Santos / Carlos Alberto Torres
3 – Domingo D´aguia / Bellini
4 – Mauro Ramos / Luis Pereira
5 – Falcão / Leônidas da Silva
6 – Nilton Santos / Júnior (Leovegildo)
7 – Didi / Rivelino
8 – Zico / Zizinho
9 – Ronaldo / Romário
10 – Pelé / Ademir D´Aguia
11- Garrincha / Jairzinho

OS MELHORES GOLEIROS BRASILEIROS DE TODOS OS TEMPOS


Pode-se questionar o porque do goleiro Leão e não Taffarel, aqui não observamos apenas o destaque na seleção brasileira, mas o que o jogador representou na história do futebol, assim foi realizada uma pesquisa minuciosa e, chegamos a essa conclusão. A história de títulos, o currículo do Leão é muito melhor, pode não se gostar dele por achá-lo nervoso, encrenqueiro, mas foi competente.
Leão ganhou Campeonatos Paulistas: 01 com o Comercia de Ribeirão Preto (1967); 03 com o Palmeiras (72,74 e 76); 01 com o Corinthians. Campeonatos Brasileiros: 03 com o Palmeiras (1969, 72,73); 01 com o Grêmio de Porto Alegre (1981) e 01 com o Sport de Recife (1987) como jogador e técnico ao mesmo tempo; Campeonato Gaucho: 01 com o Grêmio (1980); Copa Libertadores: Grêmio (1983) - Seleção Brasileira Copa do Mundo: (1970); Campeão com o Palmeiras: Troféu Ramón de Carranza: 1969, 1974, 1975. Foi selecionado por duas vezes para jogar como o goleiro titular da Seleção do Mundo contra o Campeão das Copas do Mundo (FIFA) de 74 e 78. Na história do Campeonato Brasileiro Leão ficou 1.058 minutos sem tomar gol Palmeiras (1973), só perde para o goleiro Jairo com 1.132 minutos – Corinthians (1978) e ainda Maior percentual de jogos sem sofrer gols pela seleção: Leão, 53% (56 em 107 jogos)
Taffarel : Parma - Copa da Itália: 1992 e 2002; - Recopa Européia: 1993. Atlético Mineiro - Campeonato Mineiro: 1995 - Copa Conmebol: 1997. Galatasaray: - Campeonato Turco: 1999 e 2000 - Copa da Turquia: 1999 e 2000 - Copa da UEFA: 2000 - Supercopa Européia 2000. Seleção Brasileira - Campeonato Mundial Sub-20: 1985 - Jogos Panamericanos: Ouro em 1987 - Copa América: 1989 e 1997 - Copa do Mundo FIFA: 1994.
Em relação ao goleiro Gilmar dos Santos Neves é indiscutível: Seleção Brasileira: Copas do Mundo (FIFA): Campeão (1958 e 1962) – Bicampeão Mundial com o Santos: (1962 e 1963) – Campeonatos Paulista: Corinthians (1951, 1952 e 1954) – com o Santos (1962, 1964, 1965, 1967 e 1968) - Taça Libertadores da América Santos: 1962 e 1963 - Recopa dos Campeões Mundiais: 1968 e muitos

domingo, 15 de janeiro de 2012

AOS FILHOS, MENOS PRESENTES E MAIS PRESENÇA

A dedicação excessiva ao trabalho, muitas vezes está relacionada ao desejo de satisfazer as vontades dos filhos. Dar presentes a eles é bom e, obviamente, eles gostam. Mas ter mais tempo para a convivência traz muito mais alegria, com ganhos afetivos, sociais e cognitivos. Melhora o rendimento escolar, a autoestima e a autoconfiança para a vida adulta.
Há pais que, em datas festivas, como aniversário ou Dia das crianças, não dão presentes. Em troca, dedicam uma tarde ou um dia inteiramente aos filhos. São horas de muita interação: brincar num parque ou chácara, jogar bola, subir em árvores, pedalar, nadar, andar a cavalo, empinar pipa, dar banho no cãozinho, ler e contar histórias, cantar e ouvir música, assoviar, assistir a um filme, cozinhar, lavar os pratos e talheres, dialogar sobre amigos e escola. E não menos importante que os pais transmitam aos filhos o quanto os amam, num belo cartão, num abraço, num gesto de carinho.
O filho – geração shoppings – arrasta toda família para perambular por esse templo do consumo e entregar-se à gula na Praça de Alimentação. São bem vinda as novas tecnologia, mas como em todo processo educativo, o equilíbrio é indispensável. Condenam-se os gastos excessivos com a parafernália eletrônica e o tempo que uma parcela de nossas criança e adolescentes lhe dedicam, o que compromete os relacionamentos interpessoais, a compleição física, a prática de esportes, leituras, estudos.
Cobrir os filhos de muitos bens materiais – brinquedos, roupas, passeios, conforto – é uma imprevidência. Lembremos que muitos momentos felizes vividos por nós foram interação e simplicidade que custa pouco. Mais tarde, ao filho já adulto e aos pais idosos, quase sempre resta o gosto amargo do arrependimento por terem brincado pouco. “Brincar com a criança não é perder tempo, é ganhá-lo” -

sábado, 26 de novembro de 2011

VOCÊ ACREDITA MESMO EM AMOR INCONDICIONAL?

Foi o que mais eu ouvi de amigos e pessoas conhecidas que leram o artigo e vieram comentar: - Você acredita realmente no que escreveu? – A partir desta pergunta seguiram-se outras, algumas até em forma de indignação:
- Como amar incondicionalmente uma mulher ou um marido infiel? - Devo amar incondicionalmente uma pessoa que me ofende com palavras, que me agride ou que fere um amigo ou parente meu?
- Como vou amar um pessoa que me lezou, me espezinhou?
- Devo amar incondicionalmete um corinthiano, um palmeirense, um falamenguista (risos), principalmente quando meu time perdeu (risos novamente)?
Bem, por ai seguiram os questionamentos e as indignações, mas só posso dizer que históricamente diversas pessoas amaram incondicionalmente ou chegaram próximo: quando Jesus, pregado numa cruz, depois de ter sido humilhado, açoitado clamou: - Pai, perdoa-os que não sabem o que fazem! – Que tipo de amor é esse?
Francisco de Assis que deixou um vida de luxo para se dedicar aos doentes, pobres, enfim, aos necessitados. ...trechos:
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
Consolar que ser consolado.
Compreender que ser compreendido.
Amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
Perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna
São personagens históricos! – Dirão alguns -, mas temos pessoas que viveram no nosso tempo: Irmã Dulce, Zilda Arns e muitos outros.
Amar incondicionalmente realmente não é fácil, mas é uma busca, deve ser uma meta constante e com certeza o mundo será muito melhor. Devemos treinar em pequenas ações diárias como: pedir desculpas, aceitar o pedido de desculpa, ser mais tolerante no trânsito, tentar ver mais as virtudes dos outros, ser grato e demonstrar gratidão, ofender menos, bem, é assunto para mais um artigo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

AMOR INCONDICIONAL

Estamos acostumados a viver em mundo em que as pessoas agem na expectativa de reciprocidade. Ação traz uma reação. Infelizmente, não se encontra sabor em relações desinteressadas. A suposta amizade vive de expectativas.
O que o outro pode me proporcionar? Quem é fulano? O que ele faz? O que ele tem? Que benefícios ele vai me trazer?
Tempo em que os adornos valem mais que o essencial. Tristes tempos. As amizades interesseiras têm prazo de validade. As relações são inconsistentes. É comum, em um circulo de amigo, cada qual falar de si mesmo como um hobby. Uma geração narcisista. O pronome mais utilizado é o de primeira pessoa: “eu”. Tristes tempos, repito.
Tempo de escassez de atitudes de misericórdia – descartar uma pessoa é mais fácil do que se desfazer de um objeto de estimação. Falta estima pelo ser humano. Vivemos em uma sociedade em que o consumo coisifica a pessoa. Quanto mais se tem, mais se deseja e, quanto não se tem, o desejo faz questão de ficar.
Falta um sonho de vida e sobram angustias pelas ausências desse sonho. Precisamos amar incondicionalmente, faz bem a alma de qualquer pessoa. Não podemos permitir que os erros vençam os acertos, que a superficialidade ocupe mais espaço que a densidade do mundo intrapessoal e inter-relacional. É preciso resgatar os valores que nos conduzem à felicidade. E de maneira simples e profunda, como é a palavra de Deus. O mal não pode vencer o bem. Se as atrocidades nos incomodam, se a banalização da violência nos assusta é preciso ir além. Além do que os nossos olhos podem ver, além do que os nossos sentidos podem captar. É preciso ir além e chegar ao recôndito do nosso coração onde só a linguagem da alma, dos sentimentos, da simplicidade e da fé é capaz de alcançar.
Só poderemos oferecer um mundo melhor aos nossos quando começarmos a pautar nossas ações pelo amor incondicional, quando eliminarmos as barreiras que nos separam: os preconceitos, as diferenças religiosas, culturais, financeiras ou cor da nossa pele.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

AO ENTARDECER

Um jovem casal passava férias com seus dois filhos, escolheram, por recomendações de amigos, uma pousada cercada de montanhas com um rio cortando-as e que ficava a pouco mais de duzentos metros da pousada, além de uma linda cachoeira que descia de um dos lados da montanha, muitos coqueiros e palmeiras completavam aquela paisagem belíssima.
No segundo dia de estada naquele paraíso, Lincoln caminhava vagarosamente pelo verde gramado próximo aos alojamentos da pousada, começava anoitecer, o Sol muito vermelho sumia, engolido pelo horizonte, as multicores do céu davam mais beleza aquela paisagem. Passando defronte a capela que fica dentro da área que compunha a pousada, Lincoln sentiu um forte desejo de entrar um pouco, a capela sem portas estava permanentemente aberta, convidando os freqüentadores do local a agradecer o Criador por ter feito um lugar tão bonito.
Lincoln estava sentado com os olhos fechados quando ouviu passos vagarosos, alguém adentrava ao santuário, logo um leve arrastar de banco e tudo ficou quieto, Lincoln abriu os olhos, virou-se e notou ser um senhor com mais ou menos setenta anos e já se encontrava orando, ficaram assim durante alguns minutos. Após suas orações o velho levantou-se do banco onde estava e veio sentar exatamente no banco onde o Lincoln se encontrava:
- Estou incomodando?
- Ah! Não, não está, já terminei minhas orações. – A princípio Lincoln estranhou a vinda daquele senhor ao seu banco, pois haviam tantos outros desocupados.
- Vem sempre aqui?
- Não, é a primeira vez. E o senhor vem sempre?
- Vinha mais, hoje em dia dependo muito de quando minha filha pode vir, ela trabalha muito, dificilmente tem tempo!
- Só tem ela!
- Não, tenho mais dois filhos, dois rapazes, mas não moram no Brasil, se formaram e foram trabalham no exterior.
- Muitas lembranças?
- Muitas meu filho... – O velho dá uma pausa – muitas mesmo!
- Boas ou ruins?
- Boas, todas muito boas! Inclusive, ontem e hoje estive observando sua família e lembrei da minha, você tem dois filhos e uma bela esposa.
- É, tenho um filho de sete anos e uma filha de quatro.
- E a esposa!
- Ah! É, minha esposa... estamos casados a nove anos.
- Algo não está bem entre vocês?
- Está tudo bem sim – pausa - porque o senhor pergunta?
- É que eu estive observando a movimentação nesses dois dias, é o que um velho pode fazer de melhor, observar, e não pude deixar de notar que vocês estão sempre distantes.
Primeiro Lincoln ficou meio constrangido por falar de sua intimidade, mas aquele senhor transmitia tanta paz e segurança que resolveu se abrir:
- Nosso relacionamento esfriou muito! Nós viemos para cá tentando nos dar uma chance, mas percebo que não dá mais não...
- Isso é muito triste, o fim de um amor é triste... – O velho falou pausadamente e calou-se.
- É realmente, eu amei muito minha mulher, mas de alguns anos para cá, nós nos afastamos, a rotina no casamento, a correria do dia-a-dia: trabalho, cursos, filhos, viagens a negócio, encontros com amigos; ela também trabalha fora, está tudo muito difícil – Lincoln abaixa um pouco a cabeça e completa – tem também outras mulheres... – cala-se.
- É, quando o amor é bonito vale a pena investir, vale qualquer sacrifício.
- O Senhor fala com muita convicção. Chegou a viver problemas no seu casamento?
- Claro que sim. Eu me casei muito apaixonado, minha esposa era maravilhosa, tão bela quanto a sua, a gente se entendia muito bem, tivemos três maravilhosos filhos, com o tempo ela se tornou apenas mãe e eu pai, nossos diálogos foram reduzidos a problemas caseiros: filhos, escola, contas, daí em diante tudo desandou, eu que nunca havia traído minha esposa, não resisti aos encantos de uma colega de trabalho, e assim foi durante algum tempo. Um dia cheguei em casa depois do barzinho com os amigos, minha esposa me comunicou que iria fazer uma viagem com as crianças e que iria ficar um tempo sozinha para pensar sobre nós, nesse dia eu percebi que estava perdendo minha família e a mulher que tanto amara. Fiquei entre deixá-la partir e assumir a outra em definitivo, mas algo dentro do meu coração pedia uma nova oportunidade, era mais forte que a minha razão, foi então que pedi que me desse mais uma chance, sugeri que fizéssemos uma viagem juntos, ficando só nossa família e, se depois de tudo se ela achasse que devia partir eu não impediria. Á princípio ela relutou, dizia já ter tentado de tudo e que já havia tomado a decisão, nesse momento eu percebi que estava perdendo a chance de ser realmente feliz, resolvi que despojaria de qualquer orgulho e implorei, pois sabia que quem mais errara havia sido eu. Ela aceitou e nós viemos para este lugar, na época ainda era uma propriedade de um amigo, era tudo muito rústico, ficamos só nós, durante o dia íamos ao rio pescar, passeávamos a cavalo, tomávamos banho de cachoeira, fazíamos caminhadas, jogávamos bola, à noite jantávamos, acendíamos uma fogueira no terreiro da casa ficávamos inventando jogos e contando histórias. Via meus filhos correndo alegres e a alegria dos meus filhos e o belo sorriso da minha esposa me davam a certeza de que havia tomado a decisão certa. Resolvi investir em nós, conversamos muito, falei tudo o que eu não gostava e o que me deixava chateado, ela por sua vez também não deixou barato, fiquei sabendo tudo o que ela pensava sobre mim, percebi o quanto havia machucado-a, o quanto machista fora, foi tudo muito bom. Quando voltamos para casa nosso relacionamento mudou muito, estávamos mais unidos, mais fortes... – o velho dá uma pausa.
Lincoln se identifica muito com a história e resolve saber mais:
- E quanto à outra?
- Percebi que não a amava verdadeiramente, ela era apenas uma fuga, eu buscava a jovem que eu conhecera e que se tornara mais mãe que esposa, talvez mais por uma visão minha.
- E a relação de vocês com este lugar foi só naquela vez? Lincoln, na realidade estava usando essa pergunta para saber mais sobre a história do velho.
- Bem, depois daquela vez passamos a vir aqui com mais freqüência – nesse momento o velho pára, vira o corpo e fita o vazio lá fora – quando começo a pensar naquela época posso ver meus filhos correndo de um lado para o outro, os jogos de futebol, as pescarias, como éramos felizes, as idas à cidadezinha próxima daqui, as cantorias acompanhadas pelo violão tocado pela minha esposa. Ainda posso vê-la dando bronca nas crianças e dizendo que eu era tão moleque quanto eles – o velho abaixa a cabeça - ela era muito zelosa, dava broncas e ao mesmo tempo era carinhosa. Percebi a tempo que ela não precisava só de um bom pai para nossos filhos, precisava também de um marido, amante, um companheiro; e olha que isso nós fomos, como fomos! Envelhecemos juntos, vimos as crianças crescendo, primeiro o mais velho foi fazer faculdade na capital, logo o outro ganhou um bolsa de estudo no exterior e também foi embora, apenas minha caçula ficou, fez medicina, ficou na cidade morando e trabalhando. No final ficamos apenas eu e minha esposa, os filhos pouco nos acompanhava nas viagens, mas mesmo a saudade deles não nos impedia de sermos felizes, mas... - Nesse instante Lincoln percebe que uma lágrima teima em rolar pela face do velho.
- Prefere não falar!
- Não, não, eu falo, as lágrimas são de boas lembranças, como estava falando, há seis anos minha amada me deixou – o velho curva a fronte enquanto as lágrimas escorrem pelo seu rosto – ela foi atender o chamado do criador, doeu e ainda dói, mas eu sei que ela está me esperando para nunca mais nos separarmos. Hoje eu venho para este lugar com minha filha, ela vem com sua família e, sabendo que eu gosto muito sempre me convida, quanto aos outros filhos pouco aparecem, estão sempre muito ocupados.
- O senhor considera que tudo valeu a pena?
- Se valeu! Hoje eu tenho consciência que a vida é feita de detalhes e são eles que irão nos alimentar, nos darão força para continuar vivendo, não sou saudosista, tenho boas lembranças e são elas que me impulsionam. São elas que me dão a certeza que a vida valeu e vale a pena. O que me alimenta não são as coisas que não disse ou que não fiz, mas tudo que tive coragem de dizer e de fazer e que fizeram outras pessoas felizes. A minha amada continua aqui, viva, dentro do meu coração, toda felicidade que eu lhe dei e a que ela me deu dá a certeza que a felicidade existe e está sempre do nosso lado, basta tirarmos o rancor, a magoa, o orgulho, os preconceitos, temos que viver livre das amarras e de modismo, devemos ser verdadeiros, não ter medo de viver e de ser feliz, devemos ser felizes nem que seja na marra.
- Será que eu posso ter uma historia tão bonita quanto à do senhor?
- Com certeza não. Cada um faz sua história e ela pode ser melhor ou pior, mas é a sua historia. – O velho dá uma pausa na conversa - Desculpe-me, vim aqui, atrapalhei suas orações e fiquei falando o tempo todo!
- Não, não está atrapalhando, foi muito bom ter ouvido sua história.
- Bem tenho que ir, minha filha já deve estar me esperando para o jantar, meu genro é impaciente e amanhã levantamos cedo para viajarmos de volta. Os dois se levantam caminham silenciosos até fora da capela.
- Está uma noite muito bonita, uma linda Lua cheia, inspirativa, diria! Bem, vou chegando, boa noite! - Despede-se o velho.
- Boa noite! - Responde um Lincoln contemplativo.
O velho sai caminhando em passos lentos deixando atrás de si um homem pensativo, aquela história havia mexido com Lincoln. Ele ficou ali mais alguns minutos enquanto observava o velho seguir seu caminho sendo iluminado pelo clarão da noite enluarada.
- Boa noite, amor!
- Onde esteve até agora?
- Andando por ai.
- Sozinho!
Lincoln não respondeu, aproveitou que as crianças não estavam por perto, puxou sua esposa para junto de si:
- Eu já disse que te amo muito!?
- O que houve? Há muito tempo que você não age assim!
- Pois então pode ir se acostumando, agora vai ser assim! Lincoln abraçou forte a esposa e deu-lhe um longo e ardente beijo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O DOMADOR DE MONTANHAS 2

Eu já estava há mais de dois anos acompanhando grupos em trilhas e rapel, quando aconteceu um fato que foi marcante para mim. Estava com um grupo de seis jovens, quatro moças e dois rapazes, durante a trilha fomos fazer rapel, três moças haviam descido, tudo transcorria bem, a quarta jovem, que vamos chamá-la de Tânia para preservar sua privacidade, estava um tanto ansiosa, mas os amigos estavam dando força dizendo que não havia perigo, que ela ia adorar, enfim, ela decidiu, iria descer, preparei todo equipamento, ajustei - faço a descida sempre com duas cordas para evitar qualquer risco - dei inicio à descida da jovem Tânia, lá embaixo estava meu filho Alexandre que dava a sustentação; a jovem estava indo bem, havia descido uns quinze metros quando parou, em seguida começou a dizer que não ia conseguir, que estava com muito medo, eu comecei falar com ela e passar segurança, mas ela se desesperou e passou a dizer que ia morrer, que não ia conseguir, ela chorava muito e, para piorar, disse que o seu pai havia morrido numa descida de rapel, que ela havia visto tudo, nesse momento eu tive certeza que situação estava mais difícil que qualquer uma outra que havia vivido, muito pior até do que aquela que eu havia passado quando pratiquei rapel pela primeira vez, nessa hora tudo passou pela minha cabeça, inclusive que deveria chamar o corpo de bombeiro, mas onde estávamos o celular não estava dando linha, olhei para os lados e vi que os dois jovens que estavam próximo a mim no platô se mostravam apavorados, eu precisava passar tranqüilidade e, principalmente, tomar uma atitude, foi quando decidi descer, preparei outro equipamento e iniciei a descida, chegando perto onde estava, ela chorava muito e, no desespero, gritava: - Não encosta em mim. – Eu lhe disse que não forçaria a nada, mas que ela deveria descer, pois tudo era muito tranqüilo, chorando ela só falava que ia morrer. Tranquilamente comecei a falar com ela, sempre demonstrando que estava seguro no que fazia, mas ela parecia não querer ouvir, em seguida, entre soluços começou contar que seu pai havia morrido durante uma descida de rapel com um grupo de amigo, que na época ela estava com oito anos, estava na parte de cima da cachoeira, que não havia visto o pai cair, mas que ouviu os amigos e a mãe contando. Após ouvir bastante, comecei a falar-lhe que lamentava o que havia acontecido, que imaginava a sua dor, mas que no sistema que eu trabalho é muito seguro, pois trabalho com duas cordas e, a chance de uma tragédia daquela é praticamente impossível. Nesse momento ela ficou revoltada e disse que eu falava assim porque ela não era minha filha, que o que acontecesse com ela seria apenas uma fatalidade, um acidente de trabalho, que eu nunca ia sentir o que ela sente até hoje com a morte do pai, foi nesse momento que Deus iluminou e eu falei: - Posso te garantir que eu sei sim a dor da perda de um pai ou de um filho, por isso eu tomo todos os cuidado. – Foi quando ela, ainda soluçado indagou-me: - Como você sabe? Já perdeu alguém dessa forma? - Eu lhe disse que não havia perdido, mas que aquele jovem de dezenove anos que estava lá embaixo dando apoio era meu filho, e que o equipamento que eu preparo, dá toda segurança, porque primeiro desce o meu filho. Completei dizendo – Talvez eu até relaxasse comigo, mas nunca com a segurança do meu filho! – Nesse instante um lagrima escorreu pelo meu rosto, tive naquele momento a consciência da dor que ela estava sentindo. A jovem Tânia olhou para mim e perguntou: - Você está chorando? – Pensei em falar que não, mas assumi. – Sim, estou chorando só de imaginar a dor da perda de um filho e por isso sei o que você está sentindo! – Por um tempo ficou um silencio, só alguns gritos de um ou de outro que perguntava se tudo estava bem, mas nós estávamos em silêncio. Logo ela olhou pra mim e pediu: - Eu quero descer! – Eu disse que estaria ao seu lado dando apoio, e, vagarosamente ela começou a descida até chegar na base, uma vez lá ela sentou e chorou muito, eu meu filho ficamos ao seu lado em silêncio, depois ela se levantou deu-me um longo abraço, agradeceu-me e pediu desculpas várias vezes, depois abraçou meu filho e disse: - Você tem um grande pai e ele te ama muito! - Isso me deixou muito emocionado. Essa experiência me fez crescer muito e ter a certeza que não deveria arriscar a vida dos outros, e que toda segurança é essencial.
Passado seis meses do ocorrido a jovem Tânia voltou com uma nova turma, e disse que queria fazer rapel, disse que havia feito terapia e que achava estar bem melhor, nesse momento eu fiquei preocupado, mas ela insistiu e eu não tive como dizer não. Preparei todo equipamento, meu filho na base e começou a descida da jovem Tânia, tudo foi bem até uns quinze metros e novamente ela parou, eu fiquei apavorado, ela olhou para mim e gritou eu não quero descer... – Toda lembrança veio a minha cabeça e eu tremi, lentamente ela colocou a mão numa bolsa que trazia preza à cintura, de lá tirou uma máquina fotográfica e disse: - Não vou descer enquanto não filmar essa paisagem linda! Nesse momento parecia que toda alegria havia invadido meu ser. Ali ela ficou, filmou, observou e depois pediu para continuar a descida.
A jovem Tânia voltou mais duas vezes e cada nova descida uma alegria invade meu coração e eu imagino uma filha descendo naquelas cordas e sei da responsabilidade que tenho.
Informações e reservas Jamil: Cel.: (67)84551964 m.lucia_67@hotmail.com


Fotos feitas por Inivaldo na região de Piraputanga - MS